Pais e mães desnaturados!

Este é um post sobre nomes.

Alguns de vocês meus leitores devem conhecer aquela lista comprida de nomes, da qual constam preciosidades como “Agrícola Beterraba”, “Um Dois Três de Oliveira Quatro”, “João com Cara de José”, etc., mas não vou reproduzi-la aqui. Vou apenas citar algumas particularidades sobre nomes diferentes que já foram dados a muitos rebentos.

Pequena relação de prenomes: Audifax, Chikakó, Devercilírio, Farmácio, Fordência, Gravitolina, Izione, Matozóide, Obedemigo, Ocricócrides, Omenzinha, Pelumendia, Presolpina, Rocambole, Sudene.

Tem também:

– Ava Gina (em homenagem a Ava Gardner e Gina Lolobrigida);
– Bucetildes (chamada, pelos familiares, de Dona Tide);
– Letsgo (de Let’s go);
– Óliude (jogador de futebol, que atuou na Portuguesa e no Vasco, com o apelido “Capitão”) e seu filho, de mesmo nome;
– Tospericagerja (em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho);
– Usnavy (em homenagem à U.S.Navy, a Marinha Americana).

Alguns prenomes selecionados dentre uma pesquisa feita por um estudante de Direito no Diário Oficial do Estado do Rio Grande do Norte: Agabatan, Aguinarinho, Artidório, Cacinoar, Domicília, Edeltrudes, Eulira Eulina, Gerivaneide, Gesita Senhora, Idalesce, Ilamilto, Ismagalúcia, Lavoisvaldo, Maria Concebida, Maria Donzidia, Musébio, Navegantina, Ricardina Tertulina, Tili Storace, Tôgran Lauro, Tomásia Eleutéria, Ustana, Valdomiro Edelgício, Vigolvina, Zildirleide. (fonte: Renan II de Pinheiro e Pereira)

Tem também o Sr. Necessário Frescura (cujo apelido era “Seu Sério”), casado com a Sra. Putassa Frescura, ambos já falecidos. Deixaram vasta família, de vários “Frescuras”. (fonte: Nelson Goelzer Filho)

Há também:
– o casal Atualpa Fonte e Sisorosa Feitosa,
– os irmãos: Epílogo, Verso, Estrofe, Poesia e Pessoína Campos;
– os irmãos: Xerox, Autenticada e Fotocópia e ainda o Carimbo, filho de Xerox;
– os irmãos: Cedilha, Vírgula, Cifra e Ponto;
– as irmãs: Defuntina e Finadina;
– os irmãos: Lua Linda e Sol Rei;
– os irmãos: Rebostiana e Euscolástico;
– os irmãos: Zamizá, Zamizé, Zamizi, Zamizó e Zamizu;
– os irmãos: Phebo Lux Rochester (em homenagem aos sabonetes e ao laboratório) e Godson (“filho de Deus”, em inglês), de Belo Horizonte;
– os irmãos: Creio Em Deus Pai Kramer e Espírito Santo Riograndense Kramer, de São Sepé (RS);
– os irmãos Soljenitsin Davis (nome de um pensador russo) e Lilacilda (pensadora hebraica).
– a pequena Dinanca, cujo nome veio dos apelidos Dino (pai) e Danca (mãe);
– o caso do pai e filho: Fredolino e Merdolino;
– e o flamenguista fanático que batizou seus filhos com nomes do tipo: Flamena e Zicomengo.

Sem falar numa família inteira, no sul do Brasil, cujo sobrenome é Cachorroski.

E tem o caso de dois irmãos chamados Zalboeno e Zalxijoane. “Zalboeno” foi “montado” através de combinações com o nome do Balboeno, ex-jogador de futebol da Argentina. E “Zauxijoane” é: “Za” (de Zalboeno), “Auxi” (Auxiliadora, a mãe), “Joa” (João, o pai) e “Ne” (Nordeste, a região onde nasceu).

Combinações estranhas são comuns. Exemplos: Janycleiton Betelmonson, Kêmula Katrine, Liney Lindsay, Reimar Rainier…

E também combinações entre nomes de irmãos:
– Zigfrid, Zigfrida, Zingrid e Ingrid;
– João, Joana, Juan (João, em espanhol) e Juana (Joana, também em espanhol);
– Larraína e Railander;
– Lanerli, Roverli e Lierson.

Em Mossoró (RN), o farmacêutico Jerônimo Rosado, cansado de escolher nomes para a numerosa prole, a partir do sexto filho passou a batizá-los com números, primeiro em português, depois em francês. O nome nunca incomodou a família dos Rosados. Graças ao sucesso político da prole de Jerônimo, Rio Grande do Norte tem um município chamado Dix-Sept Rosado, em homenagem ao décimo-sétimo, que foi prefeito de Mossoró e governador do Estado.

O mais novo, Jerônimo Vingt-Un Rosado Maia, é conhecido como “seu” 21. Nascido em 1921, é apaixonado por literatura. Escreveu vários livros e, com muito sacrifício, realizou o projeto cultural Coleção Mossoroense, que já editou 3 mil títulos de livros históricos.

A família continua a gerar descendentes. Hoje, já existem Dix-Sept Sobrinho, Vingt e Vingt-Un Neto.
(fonte: Estado de S.Paulo, 14 de maio de 2000)

Os membros de famílias reais costumam ter nomes quilométricos, com direito a todos os sobrenomes de família. Por exemplo, a Princesa Isabel, que assinou a célebre Lei Áurea, tendo governado o Brasil por três períodos entre 1871 e 1888, assinava com o seguinte nome: Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon.

Nomes de personalidades também costumam batizar diversas pessoas pelo Brasil afora. Exemplos: Adolpho Hitler de Oliveira, Anjo Gabriel Rodrigues Santos, Charles Chaplin Ribeiro, Elvis Presley da Silva, Hericlapiton da Silva, Ludwig van Beethoven Silva, Maicon Jakisson de Oliveira, Marili Monrói, Marlon Brando Benedito da Silva, Sherlock Holmes da Silva…

Na época do seriado Dallas, eram comuns nomes como: Pâmela, Suelen, Jotaerre, Biull…

Tem também os irmãos Wakko, Yakko e Dot, em homenagem a um desenho animado da Warner.

Mas os próprios artistas não ficam atrás. Os filhos da cantora Baby do Brasil (antigamente conhecida como Baby Consuelo) se chamam: Sarah Sheeva, Zabelê, Nana Shara, Kriptus Rá Baby, Krishna Baby e Pedro Baby. Sarah Sheeva foi batizada “Riroca” (casa do riso em tupi-guarani) e mudou de nome posteriormente.

E há os clássicos erros de cartório ou mesmo dos pais, que não sabem como se escreve o nome… Há, por exemplo, uma pessoa chamada Merco (era para ser Américo…). E tem uma mulher chamada Jafa Lei. O diálogo no cartório: “Qual o nome?” “Já falei…”

O goleiro Stivione, do Barretos, time da série C do Campeonato Paulista, era para se chamar “Stevie Wonder”. 🙂 E como é difícil acertar o nome Washington. Tem Uoston, Woxington e Oazinguito1.

O pior é quando é de propósito. Uma empregada doméstica, daquelas bem simples, deu à filha o nome de Madeinusa. Quando uma pessoa da casa foi perguntá-la o motivo do nome, ela respondeu, inocentemente: “É que eu estava pegando suas roupas para lavar e li na etiqueta de sua camiseta a palavra ‘Made in USA’, eu achei tão lindo…”

Casamentos costumam render belos sobrenomes. Um casal no qual o marido tinha o sobrenome “Penteado” e a esposa, “Rego”, teve filhos de sobrenome “Rego Penteado”. Há também o caso das famílias “Pinto Rosado” e “Melo Pinto”. Um outro casal, mais discreto, preferiu manter os nomes de solteiro, mesmo após o casamento. Ele se chama José Francisco Pinto e ela, Maria José Brochado.

Na cidade de Mogi das Cruzes, uma das maiores colônias japonesas do Brasil, um casamento entre duas famílias tradicionais acabou se tornando motivo de piada. A moça se chamava Mitiko Watanabe Kudo e seu noivo, Jorge Endo. Na euforia do casamento, esqueceram que o nome que seria adotado pela futura Sra. Endo traria sérios dissabores para a mesma. Mas como disse, esqueceram e o nome da nubente acabou ficando assim: Mitiko Kudo Endo.

Existe um caso, onde o escrivão errou o nome de Diogo, trocando-o por Digo. Quando foi notado o erro, ele corrigiu desse modo: “Onde digo Digo, não digo Digo, digo Diogo”. (Fonte: Zé Lennon)

A filiação de Joaquim Bezerra Feitosa, respeitado juiz criminal de Teresina, é recheada por nomes peculiares. Um de seus filhos é Tranvanvan da Silva Feitosa, jovem promissor, hoje Procurador da República. O nome vem de uma homenagem ao deputado sul-vietnamita Tran-Van-Van, morto no dia do nascimento do brilhante jovem. O irmão mais velho de Tranvanvan, que é advogado, chama-se Mag-Say-Say, desta feita em homenagem a um ex-presidente das Filipinas. Os outros irmãos se chamam Lao-Tse-Frontiers, Didiene Nirvana e Nahira-Jana. O juiz Joaquim tem um irmão chamado Attfild (por sinal, muito culto, mora em Goiás e fala 16 línguas), outro chamado Eisenhower e dois sobrinhos, chamados Buranday e Taj-Maj-Mahal.

As fontes das informações são as mais diversas, das quais destaco:

  • relações de autoria de Rubens Ferreira Junior, Hugo Bengtsson Neto e Eduardo Klein;
  • uma lista de nomes curiosos de segurados divulgada pelo extinto INPS na década de 80;
  • outra relação divulgada pelo Banco do Brasil;
  • o livro “A Briga na Padaria”, de Maurício Gama;
  • o livro “Que nome darei a meu filho?”, de Pandiá Pandu e Ana Pandu.
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  1. Oazinguito mora em Petrópolis, é professor de História e tem um blog. []