Evolução

As agitações que antecedem as eleições costumam levantar,implacavelmente, o véu que simula a vida particular dos políticos. Não devemos, entretanto, esquecer que as paixões e as lutas acesas entre os diversos partidos exageram um tanto os fatos, chegando mesmo a desvirtuá-los. Um dos eleitores declarou-me textualmente: “Sei que o candidato ao qual darei o meu voto, cometeu vários crimes, mas, comparado com o seu adversário, ele é um verdadeiro santo”. Passou depois a me enumerar os delitos de ambos os candidatos e, de fato, na Europa, eles seriam castigados, um com uma meia dúzia de anos de detenção, o outro com pena de morte, se autores dos crimes referidos.

Parece até incrível que no Brasil, um país que possui instituições tão perfeitas, se cometam tantos crimes, mesmo no seio da boa sociedade, sem que haja para eles o merecido castigo. Tal estado de cousas se explica pelo absoluto desprezo das leis em geral, do qual nos dá exemplo tanto o ministro do Império como o caboclo da roça, e pela falta de energia e vontade por parte do governo em fazer com que se respeite a lei.

Pergunto eu quantas vezes aconteceu no Brasil que um homem rico e influente tivesse sentado no banco dos réus a fim de se justificar de seus crimes. Quantas vezes teria sido condenado tal homem? Certamente nunca.

Relato de viagem do Barão Von Tschudi ao Brasil em 1860 publicado em Viagem às Provincias do Rio de Janeiro e São Paulo (1954)

(postado originalmente em 19 de fevereiro de 2002)

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