A produtividade de Schubert

Um executivo de uma companhia ganhou um convite para um concerto da Sinfonia Inacabada de Schubert. Como estaria impossibilitado de comparecer, passou o convite para o Gerente de Métodos e Procedimentos. Na manhã seguinte, o executivo perguntou se ele tinha gostado e, ao invés de comentários, recebeu o seguinte memorando:

1. Por um período considerável de tempo, os músicos com oboé não tinham nada para fazer. Sua quantidade deveria ser reduzida e seu trabalho redistribuido pela orquestra, evitando estes picos de inatividade.

2. Todos os doze violinos tocavam notas idênticas. Isto parece ser uma duplicidade desnecessária de esforços e o contingente nesta seção deveria ser drasticamente cortado. Se um alto volume de som é requerido, isto poderia ser obtido através de um amplificador.

3. Muito esforço foi envolvido em tocar semitons. Isto parece ser um preciosismo desnecessário e seria recomendável que todas as notas fossem arrendondadas para o tom mais próximo. Se isto fosse feito, poder-se-ia utilizar estagiários em vez de músicos profissionais.

4. Näo havia utilidade prática em repetir com os metais a mesma passagem já tocada pelas cordas. Se toda esta redundância fosse eliminada, o concerto poderia ser reduzido de duas horas para apenas vinte minutos.

Sumarizando as observações anteriores, podemos concluir que se Schubert tivesse dado um pouco mais de atenção a estes pontos, talvez tivesse tido tempo de acabar sua sinfonia.

(primeira de uma série de 8 pérolas que rolavam nas BBS brasileiras no início dos anos 90; postado originalmente em 27 de outubro de 2003)

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