VOCABULÁRIO INCOMUM – X

TERMOS EMPREGADOS PELO POETA CRUZ E SOUSA (1861-1898) NO LIVRO BROQUÉIS (1893)

ACÍDULO (do latim) – Levemente ácido (no poema “Lésbia”).
ADEJO (do latim) – Ato de adejar, bater de asas. Esvoaçar, mover ou agitar as asas para se manter (a ave) em equilíbrio no ar. Voar, voejar, pairar (in “Encarnação”).
ALABASTRINO (do grego pelo latim) – Da cor do alabastro, rocha macia, branca ou clara, translúcida, parecida com mármore e utilizada na escultura. Alvura, brancura (nos poemas “Canção da Formosura”, “Tulipa Real” e “Foederis Arca”).
ALPERCE (do árabe al-perj e do latim persicu para Michaelis) – Damasco grande, de cheiro e gosto semelhantes aos do pêssego. Variante: alpece e alperche (in “Lua”).
ALVADIO (do latim) – Alvacento, quase branco, esbranquiçado (in “Primeira Comunhão”).
ASPERGIR (do latim) – Borrifar ou respingar com gotas de água ou de outro líquido. Espalhar em pequenas gotas (in “Regina Coeli”).
ASPÉRRIMO (do latim) – Muito áspero, de superfície desigual, acidentada, irregular. Desagradável ao tato, ao paladar (acre, azedo, ácido) e ao ouvido (in “Cristo de Bronze”).
ÁSPIDE (do latim) – Réptil, pequena víbora; serpente venenosa que teria sido usada por Cleópatra, rainha do Egito, para suicidar-se (in “Lubricidade” e “Luz Dolorosa”).
ATRO (do latim) – Escuro, tenebroso, lúgubre. Aziago, funesto, infausto (in “Noiva da Agonia” e “Flor do Mar”).
BÁRATRO (do grego pelo latim) – Abismo, precipício, sorvedouro, voragem. O inferno (in “Múmia” e “Serpente de Cabelos”).
BIZARRO (do vasconço para Aurélio; do espanhol para Michaelis) – Gentil, nobre, generoso. Elegante. Fanfarrão, jactancioso. Extravagante, excêntrico, esquisito (in “Satã”).
CHAMALOTE (do francês) – Tecido de lã de camelo. Tecido de pêlo ou lã geralmente misturado com seda (in “Regina Coeli”).
CLÂMIDE (do grego) – Manto dos antigos gregos preso por um broche ao pescoço ou aos ombros (“Lua”).
DULIA (do grego) – Culto prestado aos santos e aos anjos (in “Lua”).
FLAMÍVOMO (do latim) – Que vomita ou lança chamas (in “Judia”).
MARCESCÍVEL (do latim) – Que murcha ou é suscetível de murchar. Perecível, corruptível (in “Deusa Serena”).
MUCILAGINOSO (do latim) – Designativo das plantas que têm mucilagem, substância viscosa ou gelatinosa (in “Flor do Mar”).
PÂMPANO (do latim) – Haste ou ramo de videira coberto de folhas. Parra, folha de videira. Ornato que imita haste de videira (in “Satã”).
PÁRAMO (de origem pré-romana pelo latim para Aurélio; do castelhano para Cândido de Figueiredo e Michaelis; do latim hispânico para Antenor Nascentes) – Planície deserta. Abóbada celeste, o firmamento (in “Lua”).
PRÔNUBA (do latim) – Que diz respeito ao noivo ou à noiva. Que promove casamento, casamenteira (in “Lua” e “Primeira Comunhão”).
PULCRA (do latim) – Gentil, elegante, formosa (in “Regina Coeli”).
TÚRBIDO (do latim) – Perturbador. Sombrio, escuro, turvo, turvado (in “Serpente de Cabelos”).
VELINO (do francês) – Pergaminho fino preparado com pele de animais recém-nascidos ou natimortos para Aurélio; com pele de vitela para Michaelis. Papel branco e consistente semelhante ao pergaminho fino (in “Em Sonhos”).
VENUSTO (do latim) – Muito formoso ou gracioso (in “Satã”).
VETUSTO (do latim) – Muito velho, antigo, antiquíssimo. Deteriorado pelo tempo. Respeitável pela idade (in “Satã”).

(postado originalmente em 21 de maio de 2004)

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