Você é caxias?

Ele abre a porta para o gerente, dá o lugar para o chefe sentar (e prefere ficar em pé), se oferece para fazer o café. Os colegas não gostam dele. Nem mesmo o chamam para almoçar. E ainda por cima comentam: “Lá vem o puxa-saco!”. Esse perfil é apenas um dos três tipos de profissionais “caxias” que existem por aí.

O segundo tipo é aquele que não pensa em outra coisa senão crescer profissionalmente. Ele é tão focado em sua carreira que não compartilha dos anseios do grupo. Quando a empresa decide que todo mundo terá que trabalhar no feriado, ele não reclama, às vezes, fica até satisfeito, enquanto os outros protestam. Quando tem greve, é o único que vai trabalhar.

O último tipo é o proativo demais, tanto que não consegue trabalhar em equipe e acaba passando por cima dos colegas de trabalho, mesmo sem perceber. É quando o proativo passa a ser confundido com o intrometido. Ele diz sempre: deixa que eu vou, deixa que eu faço, já adiantei o trabalho.

O primeiro perfil, o do puxa-saco, na verdade, peca pelo excesso de gentileza. Ao contrário do que parece, não é individualista e, muitas vezes, não está preocupado em ser promovido. Agir de maneira educada faz parte de sua personalidade, não só na esfera profissional como também na pessoal. Já o proativo desconhece que proatividade tem limite. Na cabeça dele, precisa ser proativo, mas, por conta de suas atitudes, é malvisto pelos colegas, que acabam por boicotá-lo no dia-a-dia, prejudicando seu desempenho profissional.

É bom ou ruim ser caxias? Isso depende do chefe. Não há dúvida de que o caxias acaba se destacando da equipe, chamando a atenção de todos, mas, não necessariamente, ele é valorizado. Há chefes que não vivem sem o caxias, mas, no fim das contas, acabam promovendo o profissional mais crítico, deixando o “bonzinho” de escanteio.

Se o líder observar a situação com foco na pessoa do caxias, certamente vai valorizá-lo! Mas se o foco dele for a equipe, irá ver o caxias como alguém que desagrega o grupo ou que é desagregado do grupo. Além disso, pode ver com desconfiança o excesso de gentileza e proatividade. Isso significa que o caxias corre o risco de ser visto como interesseiro não só pelos colegas como também pelo próprio chefe. Isso sem falar que são grandes as chances de os colegas boicotarem o caxias, prejudicando-o profissionalmente.

O lado bom de ser caxias é que se trata de uma pessoa em quem a empresa pode confiar, comprometida com a empresa, muitas vezes assídua, pontual e entendida da alma do negócio. Ou até mesmo quebradora de paradigmas. O lado ruim é que esse tipo de profissional sempre vai sofrer, porque as pessoas ao redor nunca irão entender suas atitudes.

Do ponto de vista do networking, tão importante nos dias de hoje, determinadas atitudes do caxias são péssimas. Isso porque, no futuro, o profissional poderá ficar desempregado e precisar de indicações para retornar ao mercado de trabalho. Mas será difícil que um antigo colega de trabalho o indique, justamente por conhecer seu jeito de trabalhar.

Fonte: Infomoney

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