A Comlurb da Bélgica

O show foi excelente, não tem outro jeito de descrever.

Não tive dificuldade para estacionar, ao contrário do que foi dito na Globo FM.1 Tentei levar um amigo, o Amauri (que também se interessa por essas coisas), mas ele tem filhos menores e não tinha com quem deixá-los. Quem poderia também me acompanhar nessa empreitada seria a Ju Naughty, mas o ingresso que ela ganhou era para a sexta e não para o sábado.

Entrei no MAM com a chuva começando. Fui para o cinema, onde passavam alguns filmes sobre a história do jazz. Caía um toró. Quando caíram dois raios no MAM, o filme parou. Havia umas almofadas gigantes. Procurei uma livre e seca (sim, havia goteiras no cinema do TIM Festival) e deitei. Embalado pelo Afroreggae que tocava no Stage, ali pertinho, tirei um cochilo até cerca de 23h. Ih! Devem estar começando os shows no TIM Lab!

Antes resolvi tirar a barriga da miséria. Bem… as lojas no MAM eram bem elitistas: Caroline Café, Devassa, 00… Sei lá, fez falta um Bob’s ou Mister Pizza. Essa é a minha opinião. Resolvi o meu problema com um taco de carne do Guapo Loco.

Atraso! O show começou às 23:30. Entraram…

Chico Correa: misturou Nordeste e eletrônica. Boa programação visual, mostrando no telão comerciais antigos de Band-Aid, Gillette e pasta de dente americana, misturados com Lampião e Maria Bonita. A vocalista (Larissa) tinha um agudo esquisitão mas parecia ser gatinha. Um show decente, mas não chegou a empolgar a platéia, já com muitos frontmaníacos. Lá estava um blogueiro conhecido, o Haroldinho.

Gerador Zero & Apavoramento: como disse o locutor, duas revelações que começaram pequenas mas cresceram. O primeiro é uma banda eletrônica mas tem uma guitarra metal (!!!) e uma outra guitarra estaile de pelúcia rosa (o que era aquilo???). O Fábio Fzero, para quem não sabe, é dublê de cérebro da banda e namorado da Renata (aliás, vi uma menina com uma descrição muito próxima da Renata, só podia ser ela). Show metal/eletrônico muito bom, com citação do Kraftwerk e de ícones pop, de Spectreman a Regina Duarte, passando por Sir Clive Sinclair (apareciam no telão listagens de programas Basic).

Em seguida entrou o Apavoramento com seu bass animal (FEAR THE BASS!) e visual mais animal ainda. O clima era praticamente o de um baile funk, sem a baixaria (essa ficou do lado de fora, no AfterHours). Infelizmente o som foi cortado no meio, mas ainda deu tempo dos músicos se despedirem: tocaram um trecho de um daqueles discos de piadas do Costinha (“no fundo o que as senhoras e os senhores e as mocinhas gostam mesmo é de putaria”).

Coldcut: som bem variado, indo do ambient ao hip-hop-noise, passando de passagem pelo techno descarado. O começo foi ousado, com um estranho vídeo do Andy Warhol segurando uma televisão, abrindo e fechando os olhos. Logo depois entrou um texto: OI RIO. Ousadia suprema – afinal estávamos no TIM Festival! Esse sim empolgou. Um dos músicos era uma figura simpática, com boina escocesa à la Jackie Stewart. Encerramento totalmente carioca, com o filme Orfeu Negro passando no telão. Festança total. Felicidade.

Preparação do palco p/o Front: nesse momento fui para a frente do palco. Ao contrário das outras bandas, que tinham laptops como instrumentos, apenas uma bateria e um teclado (que, claro, era centro de controle para as outras frontmáquinas). O sonho estava se tornando real.

Front 242: Eletrônica industrial. Fumaça. E os belgas entraram no palco. E o que eles vestiam, gentes?? Roupas de cor laranja, iguais a… garis da Comlurb!!!!!!!!

As músicas eram antigas mas com uma nova roupagem, mais parecida com o techno dos anos 90 – o que deu à banda, há algum tempo, o apelido de “Front 303”, referência à GrooveBox 303 da Roland (muito usada pelos produtores techno). Nada mal. Mas talvez por isso, Headhunter pareceu, a princípio, muito igual às outras. Mas todo mundo cantou, foi do caraça mesmo!!! Eles tocaram duas músicas do CD lançado este ano. Muitos efeitos com os vocais, fantásticos. Na minha frente, um cara com um gravador de MD gravava o show (ou tentava, o som estava muito alto). Se você é frontmaníaco, pode ter uma surpresa em breve no seu p2p preferido.

Saí pouco antes do final, após a excelente Welcome to Paradise. Jesus was there!

Na saída, uma surpresa: estava lá a vocalista do Chico Correa. E ela é mesmo gatinha! De fora do MAM, ainda consegui ouvir o Richard (vocalista do Front): “Thank you very much!”

Depois desse festival, nunca mais olharei para um gari do mesmo jeito. 😉

(postado originalmente em 03 de novembro de 2003; de brinde vai um vídeo do show que descobri, o que prova que não estava doidão ou mentindo. O vídeo é do DVD oficial do Tim Festival, que trazia só uma música de cada banda.)

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  1. Em 2005, a Globo FM deu lugar à CBN, a rádio que toca notícia. []

0 thoughts on “A Comlurb da Bélgica

  1. Música pra mim é quase um prêmio. Nos sons acontecem os encontros reais ou inconscientes, de uma forma doce ou dura e direta onde não sei exatamente onde estou.
    Dia 29 3 31 pretendo ir num evento musical, ensaio ir há tempos e o tempo passa e este ano percebo que a vida não é para ser adiada.
    E diante do seu relato percebo que valeu a pena acompanhar este evento que você tanto pretendia, pelo valor musical e pelas percepções tidas, seja a falta do Bobs ou a nova visão dos garis.
    Obrigada, você me inspirou a estar lá!

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